terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O Médico, o gamer e o monstro

     Recentemente li o livro O médico e o monstro de Robert Louis Stevenson, uma obra prima da literatura mundial. Devido à fama deste livro, muitas adaptações foram feitas seja no cinema, teatro e mesmo adaptações literárias. A versão que eu li foi o texto integral e, para minha surpresa, diferente de todas as versões que eu conhecia. Eu recomendo a leitura do livro nesta versão para conhecer a obra da forma que o autor pensou.
     Muitas interpretações foram feitas sobre a história de Mr. Hyde e Dr. Jekyll, uma das mais famosas sobre a dualidade do bem e do mal. Durante uma passagem sobre este argumento é dito que é impossível para uma pessoa ser boa e má. Talvez isso fosse impossível na época do autor, mas hoje é completamente possível e simples graças ao videogame.
     O videogame com sua interatividade tem permitido um espaço seguro e contido onde as pessoas podem liberar emoções que não fariam na vida real. Um plano virtual onde as medidas tomadas não causam dano no nosso plano. Apesar de parecer tema de ficção científica é tudo bem simples. Nos jogos podemos fazer coisas que não faríamos no mundo real. Podemos agir da forma mais vil e deplorável durante algumas horas e, no minuto seguinte, após desligar o jogo, ser o melhor ser humano, digno de admiração. Essa dualidade, sem entrar em discussões mais aprofundadas no âmbito filosófico e religioso, pode ser vivida de forma plena sem acarretar danos aos outros, pois as grandes maldades que podem ser feitas só existem em um mundo fictício.
     Devemos sempre nos melhorar, evoluir, sempre tendo respeito pelos outros. Um ponto comum em todas as religiões é exatamente o de ajudar o próximo. Sendo pessoas melhores podemos fazer do mundo um lugar melhor, mas isso não nos impede de mostrarmos nosso lado sombrio no mundo virtual sem gerar danos às pessoas reais. Mais do que nunca a obra de Robert Louis Stevenson deveria ser discutida e apreciada.
     Saudações gamers e boa leitura

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