terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Viciados em videogame

     Quando era pequeno aprendi que vício era uma coisa ruim. O videogame foi a primeira coisa que eu conheci que a expressão "estou viciado" tem uma conotação boa. Claro que não estou falando daqueles casos extremos em que pessoas deixam de viver para jogar videogame, os obcecados por videogames e assunto para outro texto, e sim daquela sensação que o gamer sente quando joga um jogo que faz com que ele queira um pouco mais. Aquele  em que o cansaço parece se esvair do corpo depois de um bom tempo de jogatina, aquele que faz o tempo voar, aquele que pensamos "depois dessa parte eu paro" e você só para 3 ou 4 partes depois.
     Tal sensação é especial. A relação de imersão em um jogo que supera nossa lógica e libera algo que vem de dentro que nos motiva a jogar um pouco mais e mesmo a sermos melhores, a buscar a perfeição, não por obrigação, mas por prazer.
     Para quem não joga videogame e tem outros hobbies, podemos comparar tal sensação com: ver um grande filme de forma intensa em que perdemos a noção do tempo, devorar um livro para saber quem era o assassino ou se o herói sobreviverá, jogar futebol a tarde inteira sem sentir o corpo doer, escutar todas as músicas do MP3 player esquecendo todos os problemas do cotidiano e assim por diante.
     Apesar da sensação ser parecida, não usamos o termo "viciado" nestas condições. Isto é uma exclusividade do mundo dos games. Um setor com tantas possibilidades que conseguiu redefinir uma palavra pejorativa em algo bom.

Nenhum comentário:

Postar um comentário