domingo, 10 de abril de 2016

Os profissionais de E-Sports

     Esse texto sairia ontem, mas como ainda não havia a definição de E-Sports na Gamerpedia fui obrigado a mudar os planos. Quando leio e não sei o significado de uma palavra vou ao dicionário. O mesmo raciocínio foi usado aqui. O que adianta escrever um texto sobre E-Sports se, caso a pessoa não saiba o que significa, ela não tem onde buscar a informação? 
     No Brasil, infelizmente temos uma visão deturpada de esportes. A ideia é mais ou menos assim. Esporte é igual a futebol. Tirando a mídia especializada ou quando algum atleta vence um campeonato importante, e olhe lá, esta é a definição que prevalece. Ridículo. Mas a situação ainda piora. 
     A definição de atleta seria aquele que joga futebol muito bem ou quando alguém ganha uma medalha de ouro nas Olimpíadas. O raciocínio brilhante por trás dessa teoria ridícula é que quem vive dos esportes é um sortudo, pois recebe para se divertir, fazendo o que para os outros é um hobby. E os treinos exaustantes, a repetição dos mesmos movimentos todos os dias, os ferimentos e as dores por todo esse esforço físico, etc? A vida de atleta não é fácil. Claro que é difícil de engolir um jogador de futebol torrando dinheiro com carros e outras brinquedos caros enquanto a maioria da população pega o transporte público abarrotado e de má qualidade, trabalha como um louco e ganha um salário mínimo. Mas isso não justifica, no máximo serve de base para uma melhora e menor diferença salarial.
     Diferentemente dos que muitos pensam, os atletas de outros esportes, normalmente não ganham tão bem. Agora, se já é difícil para os atletas de esportes consagrados imagina para os que praticam E-Sports? O raciocínio "ele é pago para brincar" chega a outro nível, já que, ainda persiste o preconceito de que videogame é coisa de vagabundo. 
     Do mesmo jeito que os atletas praticam jogadas incessantemente e vivem buscando a melhora contínua, os atletas de E-Sports também. Melhora nos reflexos, novas estratégias, sinergia com os parceiros, etc não é fácil. Sem contar manter o prazer de fazer algo com a pressão de patrocinadores, torcedores, do preconceito e de saber que as contas vão vencer e que, dependendo da posição em que ele ficar no campeonato não terá dinheiro para pagá-las. E o medo de ser trocado por alguém novo? A oferta de trabalho não deve ser muito grande.
     Resumindo, os atletas, em sua maioria, não tem vida fácil. Pelo contrário. É muita dedicação e esforço empregados em algo sem valorização no Brasil, tanto pela maioria da população, seja pelos governantes e a mídia comum, que foca mais no prêmio milionário da equipe vencedora e não no esforço para se chegar até esse ponto, nem nas pessoas que não chegam ao topo do pódio. Do mesmo jeito que alguém sofre com um trabalho maçante, repetitivo e mal remunerado com o sonho de um dia chegar mais longe e ter uma vida melhor, os atletas, incluindo o de E-Sports, também passam por isso. 
     Devemos respeitá-los e mudar essa mentalidade limitada ainda tão presente sobre esportes e atletas, além de prestigiar assistindo campeonatos, lutando para que os outros esportes também tenham destaque na mídia, aumento do número de transmissões destes na televisão, divulga-los e, principalmente, ajudar a criar as possibilidades para que seja possível viver de esporte e se dedicar ao que gostam, algo que não deve ocorrer só no ramo esportivo, mas em toda a sociedade de modo em que as pessoas sejam mais feliz e, ao mesmo tempo relevantes para o crescimento do país.  
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