quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Colonialismo gamer

     Hoje comemoramos a independência do Brasil, quando deixamos de ser uma colônia de Portugal, para nos tornarmos um país com nosso próprio governo, leis e semelhantes. Mas será que somos verdadeiramente independentes?
     Enquanto éramos colônia, as pessoas mais abastadas tinham o hábito de viajarem para a Metrópole, Portugal, como pelo resto da Europa para estudar, fazer negócios ou simplesmente para passear. Tudo que era feito no outro continente era considerado melhor e todas as tendências eram seguidas sem questionamento, independentemente se o clima era diferente, assim como os costumes, a fauna e a flora e assim por diante. Como consequência, usamos trajes de gala feitos para o clima temperado, e não tropical, do hemisfério norte, comemos muitos derivados de trigo, ao invés de usarmos um substituto abundante no nosso país como mandioca, obrigando-nos a importar o grão, a cultura é aquela considerada inquestionável na Europa, o grande sonho seria morar no continente evoluído e assim por diante.
     Hoje somos diferentes? A maioria ainda acha que tudo na metrópole é melhor, essa agora representada não só mais pela Europa, mas também com Estados Unidos, Canadá, Japão e demais países do hemisfério norte mais a Austrália. Muitos saem de sua terra natal para ir morar nestes países, em situações e e empregos jamais aceitos por estas mesmas pessoas aqui em nosso país. O pior não é sair do país, sendo um direito, e sim abandoná-lo completamente. É comum a divulgação dos defeitos, e somente eles, para o resto do mundo e esquecermos das qualidades.
     Temos sim muito que aprender com os países de primeiro mundo. Praticas eficientes, melhorar a qualidade de vida de nossa população, boa prestação de serviços a esta, maior rigor contra corruptos, etc. Isso não quer dizer que somos um país lixo, como muitos falam. Temos muitos defeitos, é verdade, mas só cabe a nós resolvê-los. Agora, isso não será possível com o êxodo que vemos, onde algumas de nossas mentes mais brilhantes abandonam completamente nossa terra. Temos uma cultura riquíssima, porém extremamente menosprezada. Apesar de anos terem passados, ainda temos a mentalidade de colônia, aceitando passivamente o que vem da metrópole, louvando somente as qualidades desta e nos menosprezando.
     Focando mais nos games, é comum, infelizmente, o raciocínio que os jogos nacionais são um lixo, de má qualidade, que não prestam. Tal linha de raciocínio também vale para outras áreas culturais, mas que não iremos focar. Como vamos melhorar a cultura gamer com esse pensamento preconceituoso? Talvez não tenhamos ainda uma tecnologia comparável a de potências do mercado, mas temos muita criatividade e paixão. Sabe porque a metrópole cria jogos mais modernos, em termos de tecnologia, que os nossos? Por que eles acreditaram neste mercado e criaram meios de incentivar a produção de jogos e o desenvolvimento de novas tecnologias nesta área. Temos que fazer o mesmo, mas do  nosso jeito, seguindo, por exemplo, a visão do movimento antropofágico de Oswald de Andrade ou uma atitude como a do Homem de Ferro. 
     Apesar de uma possível defasagem tecnológica em relação as grandes potências, nossos jogos tem tudo para serem tão bons e até superarem estes. Sabemos lidar com as adversidades, muitos sabem lutar pelo que acreditam, aqueles que não são acomodados e que ralam na vida, somos criativos e apaixonados, como dito anteriormente, temos uma cultura riquíssima e sempre podemos aprender ainda mais com outras, algo que recomendo, temos um bom relacionamento com outros povos e somos abertos a boa recepção e ao respeito com eles, possibilitando uma maior riqueza cultural, temos dubladores incríveis, para dar voz e emoção aos personagens, enfim, temos o necessário. O maior de nossos obstáculos é o preconceito com o que é produzido em nossas terras, o menosprezo que temos com nós mesmos, a síndrome de vira-lata, o comportamento de colônia.
     O 7 de setembro não deve ser lembrado por nós como só mais um feriado e sim como o dia que deixamos de ser colônia, que nos tornamos independentes em quanto país. Continuaremos tendo um bom relacionamento com os demais, o respeito por outras culturas, línguas e hábitos, um pensamento de paz e fraternidade, mas não como um apêndice e sim como um corpo inteiro, um ser vivo. Enquanto não pararmos de pensar como meros moradores da colônia, como alguém pequeno, não seremos independentes de fato e, aí sim, o dia 7 de setembro é só mais um dia para não fazer nada.
     Um país de ponta não é feito com a mentalidade medíocre que temos e sim com dedicação, com a busca de soluções para os problemas e não com choro nas redes sociais, na rua, no bar. Somente se fizermos a nossa parte conseguiremos ser realmente um impávido colosso. Chega de nos menosprezarmos, de nos tratarmos como lixo e vamos fazer um país melhor, um país independente que almeja crescer de verdade, ajudando assim não somente o nosso povo, mas a todos que se relacionarem conosco, que acreditarem em nós, seja ele um país riquíssimo ou mais pobre, ou seja,  vamos, de fato, deixar de ser e pensar como colônia.
     Saudações games e sejamos, realmente, independentes e não só mais uma colônia  
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